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Como arranjar trabalho sem enviar um CV

2 March 2015

Na procura de trabalho, todos nós, em algum momento das nossas vidas, já recorremos ao envio de CVs. Aliás, foi assim que nos ensinaram a fazer. É-nos passada a ideia que para se arranjar trabalho é necessário: escrever um bom curriculum (já agora num formato europass), enviar para empresas (embrulhado num “Exmºs Senhores”), ir a entrevistas e repetir o processo até alguém nos contratar. Escrevemos páginas e páginas onde detalhamos todos os projectos por onde passámos, todas as actividades que realizámos, todas as competências que adquirimos. E esperamos. Esperamos.

A questão que importa responder é: qual a taxa de sucesso deste método?

Basta fazer uma proporção entre o nº de CVs enviados e o nº de entrevistas conseguidas para ter essa resposta.

O problema de um curriculum é que todos fazem. Ao enviarmos um curriculum igual a todos os outros estamos a misturarmo-nos, somos apenas mais um. Não chama a atenção, não reflecte quem somos, não diz em nada como podemos ser uma vantagem para a organização a que nos estamos a candidatar. Foca-se no passado, não no futuro. Falar do passado é importante mas desde que isso explique em que medida pode contribuir para o futuro.

Para encontrar o trabalho dos nossos sonhos é necessário pensar “fora da caixa” e tentar novas abordagens. E é o momento certo para isso. Basta fazermos uma pesquisa no Google para aparecerem inúmeros artigos sobre a necessidade (e dificuldade) de ter talento nas empresas: pessoas jovens (de espírito ou de idade) que além das suas qualificações tragam novas ideias e novos contributos para as organizações. Pessoas que sejam capazes de gerar valor, que contribuam activamente para o crescimento da organização e, principalmente, que sejam capazes de resolver problemas.

O desafio é como conseguimos demonstrar que somos essa pessoa. Como chamamos a atenção para que nos dêem a hipótese de mostrar o nosso talento e criar espaço na organização. E isso envolve um pouco mais do que referir o nosso percurso académico ou profissional.

Contar a nossa história pode ajudar a ultrapassar este desafio. Quer seja através de uma biografia ou numa apresentação pessoal, o importante é que a nossa história esteja estruturada tendo em conta alguns pontos fundamentais*:

. Quem sou eu? – O que o distingue de todas as outras pessoas e por que motivo o devem contratar. O que o torna especial?

. Como posso contribuir? – Hoje em dia há muita informação disponível para consulta. Investigue tudo sobre a empresa e sobre o seu negócio e explique de que forma os seus skills podem ajudar a empresa a obter resultados

. Como cheguei até aqui? – Conte um pouco o seu percurso profissional, a sua formação, os principais desafios que teve que ultrapassar

. Porque podem confiar em mim? – Descreva resultados específicos que tenha alcançado, quer seja em projectos pessoais ou trabalhos anteriores. Quanto mais objectivos e concretos forem, melhor

. O que temos em comum? – Relacione os valores e missão da organização a quem se está a candidatar consigo e porque é importante para si fazer parte desta visão

Por muito que custe, as empresas não contratam para ajudar ninguém. Contratam quem acham que as vai ajudar. E quanto mais claro e apelativo isso estiver, maior a probabilidade de ser notado.

Por isso, da próxima vez que estiver a enviar um CV, pergunte-se a si próprio em que é que isso o distingue e como vai chamar a atenção no meio de 700 candidaturas. Como é que está a demonstrar o seu talento? E depois arrisque ser diferente.

Comigo resultou.

Catarina Simões

Consultant at unexpected

 

* Retirado do livro “Mude” de Lúcio Lampreia

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